REVISÃO

Interações medicamentosas entre medicamentos fitoterápicos e alopáticos: uma revisão de literatura sobre potenciais interações e suas manifestações

Drug interaction between herbal and allopathic medications: a literature review on potential interactions and their manifestations

https://doi.org/10.32712/2446-4775.2024.1629

Ruver-Martins, Ana Carolina1
ORCID https://orcid.org/0000-0002-0883-0098
Silva, Barbara Ribas da2*
ORCID https://orcid.org/0000-0002-7072-4499
1Centro de Ensino Superior de Foz do Iguaçu - CESUFOZ. Av. Paraná, 3.695, Jardim Central, CEP 85864-455, Foz do Iguaçu, PR, Brasil.
2Centro Educacional Dom Alberto Grupo educacional FAVENI. Rua Ramiro Barcelos, n° 892 Centro, CEP 96.810-054, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil.
*Correspondência:
barbararibasbrs@live.com

Resumo

Este estudo consiste em uma revisão de literatura com objetivo de avaliar se há interações medicamentosas importantes entre medicamentos alopáticos e os medicamentos fitoterápicos quando utilizados concomitantemente, além de compreender como essas interações podem se manifestar, de forma a maximizar o efeito terapêutico, elencando os potenciais efeitos desencadeados. Utilizaram-se as bases de dados PubMed, Lilacs, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Scholar. Foram encontrados 17 estudos que preencheram os critérios de inclusão. Os principais resultados demonstraram que as principais plantas medicinais utilizadas como matéria-prima para medicamentos fitoterápicos que são utilizadas juntamente com medicamentos alopáticos são: Matricaria recutita L. (Camomila), Hypericum perforatum L. (Erva de São João), Ginkgo biloba L.,Valeriana officinalis L. e Passiflora incarnata L. Verificou-se que os medicamentos fitoterápicos possuem potencial de ocasionar além das interações medicamentosas, uma série de reações adversas, incluindo, desde efeitos sob o sistema nervoso central, até efeitos sobre o metabolismo, controle hormonal, função cardíaca, digestiva, dentre outros. Esse perfil evidencia a necessidade de mais estudos para compreensão dos mecanismos de interação e promoção de capacitações para os profissionais da saúde para o uso racional dos medicamentos fitoterápicos.

Palavras-chave:
Fitoterapia.
Alopatia.
Interação medicamentosa.

Abstract

This study consists of a literature review with the objective of evaluating whether there are important drug interactions between allopathic medicines and herbal medicines when used concomitantly, in addition to understanding how these interactions can manifest themselves, in order to maximize the therapeutic effect, listing the potential effects adverse triggers. Pubmed, Lilacs, Virtual Health Library (VHL), and Google Scholar databases were used. The main results showed that the main medicinal plants used as raw material for herbal medicines that are used together with allopathic medicines are: Matricaria recutita L. (Chamomile), Hypericum perforatum L. (St. John's wort), Ginkgo biloba L., Valeriana officinalis L. and Passiflora incarnata L. It was found that herbal medicines have the potential to cause, in addition to drug interactions, a series of adverse reactions, including, from effects on the central nervous system, to effects on metabolism, hormonal control, cardiac, digestive function, among others. This profile highlights the need for further studies to understand the mechanisms of interaction and promotion of training for health professionals for the rational use of herbal medicines.

Keywords:
Phytotherapy.
Allopathy.
Drug interaction.

Introdução

Cerca de 30% dos medicamentos utilizados hoje em dia são originados, direta ou indiretamente, de plantas[1,2]. Nesse sentido, constitui-se a Fitoterapia como um método de tratamento caracterizado pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas[3]. Além disso, os compostos presentes nas plantas, podem constituir os medicamentos fitoterápicos, sendo que estes são produtos obtidos exclusivamente com matérias-primas ativas vegetais que tenham sua segurança e eficácia baseadas em evidências clínicas e que sejam caracterizados pela constância de sua qualidade[4,5].

Apesar de conterem matérias-primas semelhantes ou mesmo idênticas às encontradas nos medicamentos alopáticos, existem importantes diferenças entre os medicamentos fitoterápicos e alopáticos, principalmente no que diz respeito à sua constituição[6]. Nesse sentido, os medicamentos alopáticos possuem fármacos, o princípio ativo que pode ser sintético ou obtido através da extração da droga vegetal e posterior isolamento, já os medicamentos fitoterápicos contêm o chamado fitocomplexo, que é o conjunto de substâncias originadas do metabolismo primário ou secundário da planta[6,7].

No âmbito farmacológico, o uso desses medicamentos de forma concomitante pode resultar em interações medicamentosas. As interações medicamentosas ocorrem quando o efeito de um medicamento é alterado pelo uso concorrente de outra substância, aumentando ou reduzindo o efeito terapêutico ou tóxico dos medicamentos[6,8]. Essas interações podem ocorrer entre: medicamento-medicamento, medicamento-alimentos e medicamento–exames laboratoriais[9]. Deste modo, as interações entre fármacos e plantas, podem gerar modificações farmacológicas ou até mesmo toxicidade do fármaco. Essas interações são classificadas em interações farmacodinâmicas e interações farmacocinéticas[10].

Na interação farmacodinâmica pode ocorrer o sinergismo ou antagonismo do efeito dos fármacos. No caso de sinergismo pode possibilitar a potencialização dos efeitos farmacológicos, já no antagonismo ocorre o impedimento dos efeitos farmacológicos de um ou outro fármaco[11]. Segundo Salvi e Heuser[12], a interação farmacocinética é representada principalmente por condições em que o fitoterápico modifica a absorção ou biotransformação do fármaco.

Este estudo teve como objetivo identificar e analisar o conteúdo dos artigos científicos publicados que verifiquem a existência de interações medicamentosas do tipo medicamento-medicamento a partir do uso simultâneo entre medicamento alopático e medicamento fitoterápico sendo esse uso o fator desencadeador do aumento ou diminuição dos efeitos terapêuticos esperados para tratamento com potenciais efeitos adversos manifestados.

Material e Método

Este estudo consiste em uma revisão de literatura de natureza qualitativa, descritiva e exploratória a partir de um levantamento bibliográfico de artigos indexados nas bases de dados científicas PubMed, Lilacs, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Google Scholar, nas línguas inglesa, portuguesa e espanhola[13]. Foi utilizada a seguinte pergunta norteadora: "O uso concomitante de medicamentos alopáticos/sintéticos com medicamentos fitoterápicos desencadeia interações medicamentosas que aumentam ou diminuem a ação terapêutica do medicamento fitoterápico?". Adotou-se os seguintes descritores para a busca: "fitoterápicos; interação medicamentosa; alopáticos".

Foram incluídos nesse estudo, publicações que atendessem os seguintes critérios de inclusão: i) estudos publicados no período de 2011 a 2021 na literatura técnico-científica nas bases de dados descritas; ii) estudos que abordaram a interação medicamentosa do tipo medicamento-medicamento entre medicamento alopático e medicamento fitoterápico; iii) estudos que indicaram qual fármaco foi usado concomitantemente com um medicamento fitoterápico e que favoreceu o aparecimento de interação medicamentosa; iv) estudos que relataram os efeitos adversos desencadeados através do uso concomitante do medicamento alopático e medicamento fitoterápico desencadeando aumento ou redução dos efeitos terapêuticos.

Foram excluídos estudos que: i) relataram interações medicamentosas diferentes da associação de medicamentos alopático e fitoterápico; ii) estudos que relataram apenas reações adversas que não foram desencadeados pela associação entre o medicamento alopático e fitoterápico.

Resultados e Discussão

Foram encontrados dezesseis (16) estudos na base de dados PubMed, dois (02) estudos na Lilacs, dentre estes dois estudos, um deles duplicado em outra base de dados considerada, dois (02) estudos na BVS e entre esses dois estudos um deles foi encontrado em duplicidade e 1190 estudos na Google Scholar. Após a análise dos critérios adotados, foram selecionados dezessete (17) estudos para essa revisão, como demonstrado pela FIGURA 1.

FIGURA 1: Fluxograma da seleção dos artigos de acordo com os critérios de inclusão e exclusão.
Figura 1

A partir dos critérios adotados para inclusão das publicações nessa revisão, foram selecionados dezessete (17) estudos que reportaram interações medicamentosas entre medicamentos alopáticos e fitoterápicos. Esses estudos, bem como o fitoterápico de interesse estão descritos na TABELA 1.

De acordo com Alexandre e colaboradores[14] interações entre os componentes químicos presentes em plantas medicinais e/ou fitoterápicos e fármacos, podem causar alterações nas concentrações plasmáticas dessas substâncias, mudando assim, seus perfis de eficácia ou segurança, afetando os processos de distribuição, absorção, metabolismo e excreção, o que resulta na baixa eficácia, efeitos adversos ou efeitos tóxicos.

Desse modo, as interações podem produzir efeitos clínicos indesejáveis, repercutindo em falha terapêutica e/ou desenvolvimento de reações adversas, podendo agravar o quadro clínico do paciente e/ou exigir a suspensão ou mudança do esquema terapêutico[15].

TABELA 1: Estudos selecionados com a relação de fitoterápicos estudados.
Referência Título do artigo Fitoterápico Estudado
Silva et al.[16] Diálogos sobre a Fitoterapia Senna alexandrina Mill.
Carvalho & Da Rocha[17] Interações medicamentosas dos fitoterápicos Ginkgo biloba, Panax ginseng e Hypericum perforatum com medicamentos alopáticos  Ginkgo biloba,
Panax   ginseng e
Hypericum perforatum
 Silva et al.[18] Drug interactions in herbal medicines.  Ginkgo biloba
Passiflora incarnata L.
Teixeira et al.[19] Interações de medicamentos alopáticos com fitoterápicos à base de Ginkgo biloba e Valeriana officinalis. Ginkgo biloba e
Valeriana officinalis L.
Dias et al.[2] Uso de fitoterápicos e potenciais riscos de interações medicamentosas Reflexões para prática segura. Hypericum perforatum
(hipérico ou Erva de São João).
Glycine max (L.) Merr.
Geara et al.[20] A fitoterapia e suas interações com medicamentos sintéticos – uma revisão da literatura. Hypericum perforatum
(hipérico ou Erva de São João).
Gouws et al.[21] Combination therapy of Western drugs and herbal medicines: recent advances in understanding interactions involving metabolism and efflux. Hypericum perforatum
(hipérico ou Erva de São João).
Salvia miltiorrhiza (Dansen na Fitoterapia chinesa).
ANVISA[22] Memento Fitoterápico ANVISA. Memento Fitoterápico. Passiflora incarnata L.
Glycine max (L.) Merr.
Matricaria recutita L. (Camomila)
Ferreira et al.[23] Interações medicamentosas de fitoterápicos utilizados no tratamento de insônia: Uma breve revisão. Passiflora incarnata L.
Valeriana officinalis L.
Souza[24] Chás e fitoterápicos indicados para distúrbios do sono, ansiedade e depressão, disponibilizados em estabelecimentos comerciais de São Caetano do Sul-SP. Passiflora incarnata L.
Nicácio et al.[25] Potenciais iterações entre medicamentos alopáticos e fitoterápicos/plantas medicinais no Município de Rondonópolis-MT Matricaria recutita L.(Camomila)
Felten et al.[8] Interações medicamentosas associadas a fitoterápicos fornecidos pelo sistema único de saúde. Salix alba L. (Salgueiro)
 Neves[5] Principais interações entre medicamentos e as plantas medicinais e/ou fitoterápicos. Piper methysticum G. Forst.
(Kava-kava).
Mahalingam et al.[26] Clinical Pharmacokinetic Drug Interaction Potential of MenoAct851 in Adult, Female Healthy Volunteers. Formulação polierval:
MenoAct851 composta por tubérculos de Dioscorea bulbifera,casca de Terminalia arjuna,folhas de Bambusa arundinacea e raízes de Withania somnifera.
Sharma et al.[27] Herb-drug interactions: a mechanistic approach. Drug and Chemical. Glycyrrhiza Glabra L. (Alcaçuz).
Silva & Silva[28] Uso de plantas medicinais na gravidez: uma revisão integrativa. Glycyrrhiza Glabra L. (Alcaçuz).
Rodrigues et al.[29] Efeitos farmacológicos do fitoterápico valeriana no tratamento da ansiedade e no distúrbio do sono. Valeriana officinalis L.

A relação de estudos selecionados demonstrou que 13 plantas já possuem seu perfil de interação com medicamentos alopáticos bem descritos. Esse perfil farmacológico e de interações medicamentosas são descritos na TABELA 2.

TABELA 2: Perfil farmacológico de plantas medicinais e interações medicamentosas.
Referência e nome científico da planta Nomes dos medicamentos fitoterápicos a partir da planta Ação farmacológica Alopáticos com potencial interação Potenciais efeitos da interação
16. Silva et al.[16]
1. Senna alexandrina Mill. (Sene, sena)
1. Tamarine®
Naturetti®
Senan®
1. Tratamento de constipação ocasional[16] 1. Estrógenos, Anticoncepcionais orais, fármacos antiarrítmicos como a quinidina[16] 1. Reduz a absorção dos estrógenos e anticoncepcionais orais[16]
Redução dos efeitos antiarrítmicos de fármacos antiarrítmicos como a quinidina[16]
17. Carvalho & Da Rocha[17]
19. Teixeira et al.[19]
2. Ginkgo biloba L.
(Ginkgo)
2. Ginkgo biloba
Ginkgo vital®
2. É indicado para vertigem e zumbido resultantes de distúrbios circulatórios gerais e distúrbios circulatórios periféricos, como cãimbras e insuficiência vascular cerebral[17,19] 2.a: Antidepressivos (inibidores da monoamino oxidase) [17,19]
2.b: Omeprazol[17,19]
2.c: Atenolol[17,19]
2.a: Intensifica a ação farmacológica das drogas e também o efeito colateral, como cefaleia, tremores e surtos maníacos[17,19]
2.b: Diminui a concentração plasmática e o efeito terapêutico do omeprazol[17,19]
2.c: Bradicardia e hipotensão[17,19]
17. Carvalho & Da Rocha[17]
3. Panax ginseng C.
(Ginseng, Ginseng Coreano)
3. Ginseng® 3. É utilizado como agente adaptógeno, estimulante, afrodisíaco e no tratamento de Diabetes tipo II, entre outros[17] 3.a: Ácido acetilsalicílico,
clopidogrel, heparina, ibuprofeno e naproxeno[17]
3.b: Estrogênios[17]
3.a:Reduz a ação anticoagulante da varfarina e aumenta o risco de sangramentos[17]
3.b: Aumento da atividade estrogênica, como mastalgia e sangramentos menstrual excessivo[17]
2. Dias et al.[2]
20. Geara et al.[20]
21. Gouws et al.[21]
4.Hypericum perforatum
(Hipérico ou Erva de São João).
4. Hipérico 4. Utilizado no tratamento da depressão leve a moderada, com perfil de tolerabilidade superior aos antidepressivos sintéticos[2,20,21] 4.a: Varfarina[2,20,21]
4.b: Indinavir[2,20,21]
4.a: Reduz o efeito anticoagulante[2,20,21]
4.b: Relatos de aumento na carga viral de RNA do HIV após a coadministração dos medicamentos[2,20,21]
22. ANVISA [22]
23. Ferreira et al.[23]
24. Souza[24]
5. Passiflora incarnata L. (Maracujá, flor da paixão, maracujá doce)
5. Seakalm® 5.Ansiolítico e sedativo leve[22-24]. 5. Álcool,
Lorazepam, Diazepam,
Fenobarbital e Codeína[22-24].
5.Aumento da intensidade da sonolência[22-24].
29. Rodrigues et al.[29]
6. Valleriana officinalis L. (Valeriana)
6. Valerimed® 6. Ansiolítico e sedativo[29] 6.a: Amitriptílina[29]
6.b: Benzodiazepínicos,Barbitúricos,
Analgésicos,
Opioides,
Álcool[29]
6.a: Depressão do SNC[29]
6.b: Aumento do tempo de sedação[29]
2. Dias et al.[2]
22. ANVISA [22]
7. Glycine max (L.)Merr.oja)
7. Buona®
PauseFemme®
Soyfemme®
7.Indicado como coadjuvante no alívio dos sintomas do climatério: sintomas vasomotores, tais como ondas de calor e sudorese. É considerado modulador seletivo de receptores estrogênicos[2,22] 7.a: Levotiroxina[2,22] 8.a: Reduz a absorção da levotiroxina[2,22]
22. ANVISA [22]
25. Nicácio et al.[25]
8. Matricaria recutita L. (Camomila)
8. Colutóide®
kamillosan®
Camomila®
8. Ação antiespasmódica,
anti-inflamatória e
antimicrobiana. Atividade
ansiolítica[22,25]
8.a: Varfarina, Fenobarbital[22,25]
8.b: Fluoxetina, Clonazepam, Amitriptilina[22,25]
8.a: Aumenta o risco de sangramento; Prolongamento da
ação depressora do sistema nervoso central[22,25]
8.b: Intensificação da ação depressora do SNC[22,25]
8. Felten et al.[8]
9. Salix alba L.
(Salgueiro)
9. Nature's way Willow® 9. Ação anti-inflamatória, analgésica e antitérmica[8] 9.Ácido acetilsalicílico e paracetamol[8] 9. Nefrotoxicidade[8]
5. Neves[5]
10. Piper
methysticum G. Forst.
(Kava-kava).
10. Kava-kava® 10. Pode ser empregado em casos de ansiedade, insônia, tensão nervosa e agitação[5] 10. Alprazolam e benzodiazepínicos[5] 10. Potencialização na ação da droga, levando a casos de semi-coma[5]
21. Gouws et al.[21]
11. Salvia miltiorrhiza (Danshen na Fitoterapia Chinesa).
Xprs Nutra Dan Shen Root Extract Powder®
Mãe erva Sálvia®
11. Usada para tratar vários distúrbios cardiovasculares pois acredita-se que melhora a microcirculação e o fluxo sanguíneo coronariano, inibe a adesão plaquetária e a agregação e protege contra a isquemia miocárdica[21] 11.a: Varfarina[21] 11. Potencialização do efeito.  anticoagulante da Varfarina[21]
26. Mahalingam et al.[26]
12. Formulação polierval:
MenoAct851 composta por tubérculos de Dioscorea bulbifera, casca de Terminalia arjuna, folhas de Bambusa arundinacea e raízes de Withania somnifera.
MenoAct851® 12. Desenvolvida para controlar os sintomas da menopausa[26] 12. 500 mg de MenoAct851 com uma dose única de 40 mg de Sinvastatina[26] 12. Mudança significativa na curva plasmática de Sinvastatina e hidroxiácido de sinvastatina indicando um efeito inibitório de MenoAct851 na atividade da enzima metabolizadora  CYP3A4[26]
27. Sharma et al.[27]
28. Silva & Silva[28]
13. Glycyrrhiza Glabra L.
(Alcaçuz).
13. Alcatoss®
(Xarope)
Licorice®
13. Muito utilizado popularmente para gastrite, úlceras pépticas, infecções respiratórias, tremores e ajuda a melhorar a memória, desempenha um papel antidepressivo, e reduz os níveis de colesterol no sangue. Além disso, o alcaçuz é um bom agente antioxidante e trabalhos recentes mostram que a alcaçuz tem propriedades antivirais[27,28] 13. Prednisolona,
enalapril,
hidrocortisona e contraceptivos orais[27,28]
13. Aumento da concentração plasmática dos fármacos[27,28]

Adicionalmente, as interações medicamentosas promovem uma série de manifestações clínicas que evidenciam a alteração na resposta de um dos medicamentos[16]. Segundo Jacomini e colaboradores[30]as interações podem se manifestar de forma mais branda em pacientes que apresentam diagnósticos de patologias menos severas, no entanto podem causar significativa piora da condição clínica em pacientes com formas mais severas de doenças.

Nesse sentido, vale destacar a importância de se ater ao potencial de interação medicamentosa com a finalidade de otimizar a terapêutica adotada e evitar respostas insuficientes ou indesejadas. Portanto, considerar as interações do tipo medicamento-medicamento, seja ele sintético, fitoterápico, chás ou ervas medicinais é essencial, além das interações medicamento-alimento, medicamento-bebida alcoólica e medicamento-exame laboratorial, elevando o risco no qual está associado com o estado de severidade da doença que está sendo tratada.

Além disso, a indicação do uso de fitoterápicos deve considerar seu potencial de toxicidade, quando realizado de maneira inadequada. Isso ocorre, principalmente, quando pacientes se medicam sem orientação médica, ou quando se utiliza de produtos sem certificação de qualidade, sujeito a adulterações por materiais tóxicos não vegetais, como metal pesado ou inclusive a troca de espécie botânica. Dessa forma, quando todos cuidados são tomados, a fitoterapia pode ter resultados terapêuticos bastante satisfatórios.

Conclusão

Através do levantamento de dados para o fomento do conhecimento dos profissionais de saúde sobre as possíveis interações medicamentosas entre medicamentos alopáticos e medicamentos fitoterápicos, constatou-se que as plantas utilizadas no desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos possuem potencial de interações medicamentosas se usadas concomitantemente a medicamentos alopáticos. As plantas medicinais mais associadas a interações medicamentosas foram: Matricaria recutita (Camomila), Hypericum Perforatum (Erva de São João), Ginkgo biloba, Valeriana Officinalis e Passiflora Incarnata L.

Para que se tenha uma conduta profissional mais assertiva, é válido que os profissionais sejam capacitados e estejam em constante aperfeiçoamento sobre as plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos, especialmente acerca de sua ação terapêutica, toxicidade e possíveis interações medicamentosas, prevenindo possíveis riscos à saúde e ao bem-estar dos pacientes que fazem uso de medicamentos desses medicamentos.

Fontes de Financiamento

Este estudo foi financiado com verbas dos próprios pesquisadores.

Conflito de Interesses

O presente artigo não apresenta conflito de interesse.

Agradecimentos

À Drª Ana Carolina Ruver-Martins por colaborar na elaboração do manuscrito. À equipe da Revista Fitos pela aceitação desse trabalho e, por permitir a disseminação desse conhecimento com seriedade.

Colaboradores

Concepção do estudo: BRS.
Curadoria dos dados: BRS.
Coleta de dados: BRS.
Análise dos dados: RAP.
Redação do manuscrito original: ACRM; BRS.
Redação da revisão e edição: ACRM; BRS

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