A experiência como fonte de saber: educação popular e plantas medicinais como subsídios para a transformação do cuidado no sus

Paulo Henrique de Oliveira Leda
Grasiele Nespoli
Andréa Márcia de Oliveira Gomes
Itana Susart Scher

    Paulo Henrique de Oliveira Leda

    Farmanguinhos/Fiocruz

    Possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal Fluminense (1995), mestrado em Ciências Biológicas (Farmacologia e Química Medicinal) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e doutorado em Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia - Museu Paraense Emílio Goeldi (2019). Atualmente é servidor publico da Fundação Oswaldo Cruz. Tem experiência na área de Farmácia, com ênfase em Farmacologia Experimental, atuando principalmente nos seguintes temas: plantas medicinais, fitoterapia, drogas vegetais, fitoterápicos e sus. 

    Grasiele Nespoli

    EPSJV/Fiocruz

    Psicóloga, graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), especialista em Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), especialista em Comunicação em Saúde (ICICT/Fiocruz), mestre em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ) e doutora em Educação em Ciências e Saúde pelo Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES/UFRJ). Pesquisadora em Saúde Pública do Laboratório de Educação Profissional em Atenção à Saúde (Laborat) da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz), professora permanente do Programa de Pós-graduação em Educação Profissional em Saúde (PPGEPS/EPSJV), integrante do Grupo Temático de Educação Popular e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Integrante do Comitê Nacional de Educação Popular em Saúde do Ministério da Saúde (CNEPS/MS). Atualmente é coordenadora dos cursos Educação Popular em Saúde (EdPopSUS) e Educação Popular e Plantas Medicinais na Atenção Básica à Saúde. 

    Andréa Márcia de Oliveira Gomes

    UFRJ

    Possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal Fluminense (1988), graduação em Farmácia Bioquímica 1 Opção pela Universidade Federal Fluminense (1990), mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1995), Especialização em Homeopatia pelo Instituto Hahnemanniano do Brasil (1997), Especialização em Terapia Floral pelo IBEHE-FACIS (2004), Especialização em Gestão da Inovação em Fitomedicamentos por Farmanguinhos/Fiocruz (2012) , Aperfeiçoamento em Apoio Matricial na Atenção Básica pela ENSP/Fiocruz (2014), Especialização em Atenção Integral à Saúde Materno Infantil pela UFRJ (2024), Aperfeiçoamento Multiprofissional de Preceptores Para Integração Ensino e Serviço nos Territórios de Saúde pela UNA-SUS (2025) , compõe corpo técnico da Câmara de Resolução de Litígios de Saúde da Subsecretaria Jurídica da SES-RJ e da equipe técnica de Farmácia Hospitalar da Maternidade Escola da UFRJ.

    Itana Susart Scher

    OrcID https://orcid.org/0000-0002-4202-708X

    Mestre em Educação Profissional em Saúde pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio - FIOCRUZ. Graduada da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal da Bahia, experiência na área de Farmácia, com ênfase em Farmacognosia, Etnofarmácia, Etnobotânica e Educação Popular em Saúde (EPS). 


Palavras-chave

Educação Popular em Saúde
Plantas Medicinais
Sistema Único de Saúde
Fitoterapia
Cuidado

Resumo

A experiência refere-se ao curso de educação popular e plantas medicinais na atenção básica denominado “Semeando o Cuidado”, concebido para fornecer subsídios à implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF). Fundamentada na pedagogia freiriana, a formação utilizou a planta medicinal como tema gerador para promover o diálogo entre conhecimentos científicos e saberes populares/tradicionais. Estruturada originalmente para o formato presencial, a trajetória adaptou-se à modalidade remota durante a pandemia de COVID-19, retornando ao presencial em 2022 e empregando recursos como livro didático, jogo cooperativo, investigação de campo, elaboração de plano de ação e herbários pedagógicos. Os resultados demonstraram a ressignificação das práticas de cuidado nos territórios e o fortalecimento de vínculos comunitários. O processo reafirma a potência da construção compartilhada do conhecimento e da decolonialidade, servindo como subsídio para a transformação do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS) ao valorizar a ancestralidade e a determinação social do processo saúde-doença.

Referências

  1. 1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.761, de 19 de novembro de 2013. Política nacional de educação popular em saúde no âmbito do SUS (PNEPS-SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2013. [acesso em: 10 set. 2025]. Disponível em: [https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt2761_19_11_2013.html].
  2. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 971 GM/MS, de 3 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde; 2006 [acesso em: 10 set. 2025]. Disponível em: [https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html].
  3. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006. Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências. Brasília: Ministério da Saúde; 2006 [acesso em: 10 set. 2025]. Disponível em: [https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_fitoterapicos.pdf].
  4. 4. Brasil. Ministério da Saúde. Política nacional de saúde integral das populações do campo e da floresta. Brasília: Ministério da Saúde; 2013. [acesso em: 10 set. 2025]. Disponível em: [https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_saude_populacoes_campo.pdf].
  5. 5. Nespoli G, Gomes AMO, Borges CF, et al. Educação popular e plantas medicinais na atenção básica à saúde. Rio de Janeiro: EPSJV; 2021 [acesso em: 20 set 2025]. Disponível em: [https://www.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/files/plantas%20medicinais.pdf].
  6. 6. Jara O. A sistematização de experiências: prática e teoria para outros mundos possíveis. Brasília: Contag; 2012 [acesso em: 10 ago. 2025]. Disponível em: [https://www.edpopsus.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/oscar-jara-para-sistematizar-experic3aancias1.pdf]
  7. 7. Freire P. Pedagogia do oprimido. 17ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1987. p. 343-48.
  8. 8. Freire P. Comunicação ou extensão? Tradução de Rosisca Darcy de Oliveira. 7ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1983.
  9. 9. Freire P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 2014.
  10. 10. Freire P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra; 1992.
  11. 11. Chagas DC, Dias JVS, Borges CF, et al. Jogo de tabuleiro semeando o cuidado. Rio de Janeiro: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio; [data desconhecida] [acesso em: 18 mai. 2026]. Disponível em: [https://educare.fiocruz.br/resource/show?id=wmQwTeS1].
  12. 12. Brandão CR. O que é educação. São Paulo: Brasiliense; 1981.
  13. 13. Santos M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Edusp; 2002.
  14. 14. Campos GWS. Um método para análise e cogestão de coletivos: a constituição do sujeito, a produção de valor de uso e a democracia em instituições: o método da roda. São Paulo: Hucitec; 2000.
  15. 15. Camargo KR Jr. A biomedicina. Physis. 2005; 15(Suppl): 177-201. [acesso em: 10 ago. 2025]. Disponível em: [https://www.scielo.br/j/physis/a/BmZ6PN6vDQyXgntsPXqWrRL/?format=pdf&lang=pt].
  16. 16. Mignolo WD. Histórias locais-projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG; 2003.
  17. 17. Antonio GD, Tesser CD, Moretti-Pires RO. Contribuições das plantas medicinais para o cuidado e a promoção da saúde na atenção primária. Interface (Botucatu). 2013; 17: 615-33. [acesso em: 10 ago. 2025]. Disponível em: [https://doi.org/10.1590/S1414-32832013005000014].
  18. 18. Penna C. Paulo Freire no pensamento decolonial: um olhar pedagógico sobre a teoria pós-colonial latino-americana. Rev Estud Pesqui Am. 2014; 8(2): 164-80. [acesso em: 10 ago. 2025]. Disponível em: [https://bds.unb.br/handle/123456789/1325].
  19. 19. Quijano A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: Lander E, organizador. A colonialidade do saber: etnocentrismo e ciências sociais – perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO; 2005. p. 107-26.
  20. 20. Mignolo W. Desafios decolonais hoje. Rev Epistemol Sul. 2017; 1(1): 12-32.

Autor(es)

Métricas

  • Artigo visto 40 vez(es)
  • PDF baixado 18 vez(es)
  • HTML baixado 3 vez(es)
  • XML baixado 2 vez(es)

Como Citar

1.
A experiência como fonte de saber: educação popular e plantas medicinais como subsídios para a transformação do cuidado no sus. Rev Fitos [Internet]. 5 de outubro de 2026 [citado 11 de outubro de 2026];20:e2087. Disponível em: https://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/2087
Creative Commons License

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Direitos autorais (c) 2026 Revista Fitos

Informe um erro