Farmacêutica com aspiração de estudos em Etnobotânica e Sociobiodiversidade. Atualmente presta serviços baseados na medicina tradicional indiana e faz plantões em farmácia de dispensação.
Priscila Gritten Sieben
Faculdade Paranaense, Alameda Dom Pedro II, 432, Batel, CEP 80420-060, Curitiba, PR, Brasil.
Possui graduação em Farmácia Industrial pela Universidade Federal do Paraná (2008) e mestrado em Ciências Farmacêuticas pela mesma instituição (2012), na linha de Produtos Naturais. É especialista em Gestão e Tecnologia da Indústria Cosmética - Engenharia Cosmética (2018). Atualmente é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (grupo Biopol) - UFPR e professora no ensino superior, atualização profissional e pós-graduação lato sensu. Tem experiência na área de Farmácia, com ênfase em manipulação e indústria. Atua principalmente nos seguintes temas: Cosmetologia, Farmacotécnica, Farmácia Industrial, Fitoquímica, Farmacognosia, Produtos Naturais e Pesquisa e Desenvolvimento.
Andressa de Lima
Faculdade Paranaense, Alameda Dom Pedro II, 432, Batel, CEP 80420-060, Curitiba, PR, Brasil.
A Tabernaemontana sananho Ruiz & Pavon (Apocynaceae) é uma planta usada como medicina pelos povos da América Latina com diferentes contextos antropológicos e botânicos. Popularmente conhecida no Brasil como “colírio da floresta” ou “sananga”, tem seu uso expandido das aldeias para centros urbanos. Esse estudo teve por objetivo detalhar a planta sob a perspectiva da medicina indígena e medicina tradicional ocidental, compreendendo os aspectos etnobotânicos, farmacognósicos e farmacológicos. Trata-se de uma revisão de literatura integrativa e qualitativa, com descritor Tabernaemontana sananho, nas línguas: português, espanhol e inglês, nas bases de dados PUBMED, LILACS e Portal de Periódicos da CAPES. Convergências plausíveis entre atribuições da planta para determinadas situações foram encontradas no sentido nociceptivo, anti-inflamatório, em parte antimicrobiano e no estado de vigília. Algumas propriedades descritas relacionam-se aos alcaloides indólicos monoterpenoides. Os achados sugerem necessidade de mais pesquisas com o extrato da planta quanto a averiguação de propriedades e uso racional da sananga por conter alcaloide de caráter irritante.
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