Uso de plantas medicinais por idosos adscritos à atenção primária em Porto Alegre/RS e potenciais interações planta-medicamento

Scheid T.,ín.,
Fajardo A. P.

Taína Scheid

Hospital Nossa Senhora da Conceição, Grupo Hospitalar Conceição, Gerência de Ensino e Pesquisa. Rua Francisco Trein, 596, 3° andar, Bloco H, Cristo Redentor, CEP 91350-200, Porto Alegre, RS, Brasil.

http://orcid.org/0000-0001-8909-9366

Graduada em Farmácia pela Univates (2006), Mestra e Doutora em Fisiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010; 2014). Especialista em Saúde da Família e Comunidade pelo Grupo Hospitalar Conceição (2018). Possui experiência na assistência, docência e pesquisa. Atuou como farmacêutica na Atenção Primária à Saúde e em assistência especializada/Centro de Testagem em HIV/AIDS e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Experiência como docente nas áreas de Fisiologia e Farmacologia. Pesquisas na área de Etnofarmacologia: atividades biológicas de extratos vegetais; estudo de efeitos antinociceptivos de Schinus terebinthifolius (aroeira) em modelo de dor neuropática; estudo de utilização de plantas medicinais por idosos polimedicados na Atenção Primária à Saúde. Principais áreas de atuação e interesse: Saúde Coletiva, Fisiologia, Etnofarmacologia, Educação em saúde.

Ananyr Porto Fajardo

Hospital Nossa Senhora da Conceição, Grupo Hospitalar Conceição, Gerência de Ensino e Pesquisa. Rua Francisco Trein, 596, 3° andar, Bloco H, Cristo Redentor, CEP 91350-200, Porto Alegre, RS, Brasil.

http://orcid.org/0000-0002-5501-3795

Doutora em Educação - área de ênfase em Educação e Saúde (UFRGS, 2011); Mestre em Odontologia - área de concentração em Saúde Bucal Coletiva (UFRGS, 2001); Especialista em Estudos em Tradução - Teorias, Práticas e Tecnologias (PUCRS, 2014); Graduada em Odontologia (UFRGS, 1983). Coordenadora do curso Tecnólogo em Gestão Hospitalar da Faculdade Ciências da Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (FaCS/GHC). Docente permanente do Mestrado Profissional Avaliação em Tecnologias de Saúde do GHC (MP ATSUS). Docente e Orientadora de Pesquisa da Residência Multiprofissional em Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (RIS/GHC). Membro do Comitê de Bioética do Grupo Hospitalar Conceição. Porto Alegre, Brasil (2015-2020). Pesquisadora no campo do Ensino-Aprendizagem na Saúde; Avaliação de Tecnologias em Saúde (ênfase em Tecnologias Educacionais); Saúde da Pessoa Idosa; Saúde dos Cuidadores de Pacientes Acamados/Idosos; Ergologia no Trabalho em Saúde. Experiência em Saúde Coletiva com ênfase em Ergologia; Educação permanente em saúde; Integralidade em saúde; Educação em saúde; Interdisciplinaridade; Processos de ensino e aprendizagem em saúde. Tradutora de inglês para português na área das ciências da saúde, humanas e sociais e suas interfaces.


Palavras-chave

Diabetes mellitus
Hypertension
Polymedication
Achyrocline satureioides
Zingiber officinale
Public health
Diabetes mellitus
Hipertensão arterial
Polimedicação
Achyrocline satureioides
Zingiber officinale
Saúde Coletiva

Resumo

O objetivo deste estudo foi pesquisar a utilização de plantas medicinais por idosos diabéticos, hipertensos e polimedicados vinculados à Unidade de Saúde Costa e Silva, Porto Alegre/RS e descrever potenciais interações entre as plantas e os medicamentos utilizados, conforme literatura. Vinte e dois idosos foram entrevistados sobre as plantas medicinais utilizadas, forma e frequência de preparo, local de obtenção e conhecimento sobre possíveis efeitos adversos das plantas. Demonstrou-se que além dos medicamentos prescritos estes idosos têm como prática de cuidado o uso de chás medicinais, destacando-se a marcela (Achyrocline satureioides) e a camomila (Matricaria chamomilla). A prática é exercida através de conhecimentos aprendidos nas famílias e predomina a noção de que as plantas medicinais não oferecem riscos à saúde. Contudo, a maioria das espécies mencionadas possui descrição de potenciais interações com medicamentos (ex. gengibre e anticoagulantes) e/ou modificações fisiopatológicas que podem ser prejudiciais no contexto de polimedicação e doenças apresentadas pelos entrevistados (ex. alecrim e indução do metabolismo de fármacos; poejo e risco de hepatotoxicidade).  Conclui-se necessária a avaliação e orientação sobre o uso de plantas medicinais pelos serviços de saúde na atenção aos idosos polimedicados, levando em consideração a maior vulnerabilidade desta população aos potenciais riscos aqui descritos.


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