O Projeto Ecolume: O paradigma da abundância na convivência com o clima semiárido no Nordeste brasileiro

Lacerda, F F;
Lopes, G M B;
Coutinho, R D d S;
dos Santos, S A;
da Silva, M V;
Sabino, H B;
Lima, , J. P. V. d.

Francinete Francis Lacerda

1Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Departamento de Pesquisa, Av. General San Martin, 1371, Bongi, CEP 50761-000, Recife, PE, Brasil.

Francis Lacerda é climatologista há 25 anos, formada pela Universidade Federal da Paraíba, onde também conquistou o título de mestra em meteorologia em 1991. É Doutora em Engenharia Civil, pela Universidade Federal de Pernambuco-UFPE e pós-graduada em ensino de Filosofia . É pesquisadora do Instituto Agronômico de Pernambuco-IPA, desde 1996, onde atua na área de Mudanças Climáticas com especialidade em detectar e prever as mudanças climáticas locais e seus efeitos na variabilidade climática regional e local, na disponibilidade hídrica e na agricultura. Lacerda também participa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC) uma rede de pesquisas interdisciplinar em mudanças climáticas que é a maior rede de pesquisas ambientais já desenvolvida no Brasil. Participou como coautora, juntamente com o INPE, do Projeto de cooperação técnica entre Brasil e países da África na área de meteorologia e recursos hídricos. representou Pernambuco em duas Conferências do Clima das Organizações das Nações Unidades (COP s- 14 e 15), respectivamente. Em 2010 foi condecorada, pelo Governador do Estado com a Medalha do Mérito dos Guararapes, pelos serviços prestados na área de previsão do tempo. Atualmente, coordena a rede de pesquisa Socioeconomia Verde no Bioma Caatinga frente às Mudanças Climáticas, credenciada pelo CNPq, atuando nas área de adaptação e mitigação de feitos das mudanças climáticas no semiárido brasileiro e o Laboratório de Mudanças Climáticas do IPA.

Geraldo Majella Bezerra Lopes

Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Departamento de Pesquisa, Av. General San Martin, 1371, Bongi, CEP 50761-000, Recife, PE, Brasil.

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (1980) e doutorado em Agricultural Systems - University of Reading (1990) - UK. Atualmente é pesquisador do Instituto Agronômico de Pernambuco - IPA. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em planejamento e desenvolvimento de sistemas agropecuários, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura familiar, prospeccao tecnológica e de cadeias produtivas, pesquisa e desenvolvimento e diagnóstico rural rápido. Membro da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica.

Robério Daniel da Silva Coutinho

Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Departamento de Pesquisa, Av. General San Martin, 1371, Bongi, CEP 50761-000, Recife, PE, Brasil.

Mestre em Comunicação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) - Dissertação: "Os desafios da cobertura jornalística das mudanças climáticas. É autor do livro "Crise Ambiental e Mudanças Climáticas: saberes que perpassam os campos da educação e da comunicação (2012). É pesquisador-bolsista da Rede Brasileira de Pesquisas Sobre Mudanças Climáticas Globais (2012-2013). Foi premiado por apresentar melhor artigo no 17º Congresso Brasileiro de Meteorologia (2012). Possui graduação em Comunicação Social - bacharel em Jornalismo - pela Universidade Católica de Pernambuco (2009.2). Tem experiência com pesquisa na área de comunicação relacionada ao setor ambiental, especialmente no segmento das ciências atmosféricas, aquecimento global, previsão de tempo e clima e mudanças climáticas. Foi gestor em Informação e Divulgação Científica - Laboratório de Meteorologia de Pernambuco/Instituto de Tecnologia de Pernambuco (2011-2012). Foi pesquisador do Projeto Estudo das Mudanças Climáticas e seus Impactos em Pernambuco (2009 a 2011) ? projeto aprovado pela FINEP. Também é pesquisador do Grupo de Pesquisa da Universidade Federal do Vale do São Francisco, que estuda a Meteorologia e a Climatologia do Nordeste do Brasil. E ainda em parceria com pesquisadores do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do INPE, estuda a interação entre a meteorologia e o jornalismo, a fim de investigar esta relação a serviço da comunicação social sobre previsão do tempo no Brasil. Desde a graduação em jornalismo, participa de congressos, simpósios e reuniões sempre apresentando de forma multidisciplinar a contribuição do jornalismo nas ciências atmosféricas e defesa civil, com destaque nas reuniões climáticas dos centros estaduais de meteorologia da Região Nordeste. Tem formação em Meteorologia Básica para Jornalistas pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do INPE. E, de 2009 a 2012, foi assessor de imprensa do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco.

Sebastião Alves dos Santos

Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA), Rodovia PE-050 km 14, Campo da Sementeira, S/N - Zona Rural, CEP 55620-000, Glória do Goitá, PE, Brasil.

Possui graduação em Licenciatura Plena em Biologia - Autarquia de Ensino Superior de Arcoverde (1993). Atualmente sou Coordenador de Inovação e Pesquisa Tecnológica do SERTA - Serviço de Tecnologia Alternativa. Tem experiência na área de Ecologia, com ênfase em Ecologia Aplicada, Idealizador da I Mostra de ecotecnologías para convivência com o Semiárido, Fellow da rede mundial de empreendedores sociais - ASHOKA, Conselheiro Estadual de Meio Ambiente - CONSEMA/PE, Vencedor do Prêmio Miguel Arraes de Alencar de Inovação Inclusiva (SECTI - PE) Membro do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica NEA/CAA /UFPE

Márcia Vanusa da Silva

Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Avenida Prof. Moraes Rego, 1235, Cidade Universitária, CEP 50670-901, Recife, PE, Brasil.

Professor Associada do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco. Participa de grupo de pesquisa que investiga o potencial da Flora da Caatinga, além das respostas moleculares das plantas a estresses bióticos e abióticos.

Heitor Branco Sabino

Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Departamento de Pesquisa, Av. General San Martin, 1371, Bongi, CEP 50761-000, Recife, PE, Brasil.

Engenheiro de Produção com ênfase em eficiência energética, meio ambiente e desenvolvimento humano utilizando recursos renováveis e fontes de energias renováveis. Duas experiencias em países de primeiro mundo, sendo eles, Canada( cidade de Vancouver) no ano de 2012 e USA( cidade de Fremont, Califórnia) no ano de 2015. Na California, ele teve a oportunidade de cursar disciplinas como: Desenvolvimento de Projetos, Estátistica para Decisões, Circuitos Eletricos e Desenvolvimento de carreira. Qualificação na área de elaboração de projetos para usinas solares no território nacional. Foco e determinação para nivelar a igualdade social e a matriz energética brasileira, com o uso de novas tecnologias sustentáveis.

João Paulo Viana de Lima

Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Departamento de Pesquisa, Av. General San Martin, 1371, Bongi, CEP 50761-000, Recife, PE, Brasil.

Possui Graduação em Engenharia de Pesca (2004), Mestrado e Doutorado em Recursos Pesqueiros e Aquicultura (2007/2014), todos pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE. Tem ampla experiência na área de Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, com ênfase em Aquicultura (cultivo de organismos aquáticos) e Engenharia para Aquicultura (sistemas construtivos e projetos aquícolas), atuando principalmente nos seguintes temas: carcinicultura, piscicultura, sistemas de produção aquícola e larvicultura de camarões de água doce (Macrobrachium carcinus e M. rosenbergii). Atualmente é Extensionista Rural - Engenheiro de Pesca do Instituto Agronômico de Pernambuco - IPA, exercendo a função de Supervisor de Pesca e Aquicultura no Departamento de Assistência Técnica ? DEAT, onde atua com a elaboração, execução e coordenação de Projetos de Pesquisa, Desenvolvimento, Difusão e Inovação Tecnológica; além da prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pesqueira e Aquícola aos produtores de base familiar do Estado de Pernambuco.


Palavras-chave

Caatinga
Ecolume
Solar energy
Aquaponic system
Water reuse
Caatinga
Ecolume
Energia solar
Aquaponia
Reuso de água

Resumo

O Ecolume integra as práticas dos conceitos de geração de energia fotovoltaica com a captação de águas pluviais, a reutilização de águas residuais e a produção de alimentos orgânicos ao longo do ano. A combinação de água da chuva coletada nas superfícies dos painéis solares e a reutilização de água cinza e preta, para irrigação de pomares e viveiros de mudas nativas, orienta um novo paradigma de desenvolvimento socioeconômico no semiárido, tornando este projeto um processo de adaptação eficaz às mudanças climáticas. O semiárido do Nordeste brasileiro mostrou uma redução na precipitação total anual, na forma de secas severas recorrentes. A abundância de energia solar pode ser uma fonte de desenvolvimento socioeconômico na região, ferramenta poderosa para adaptar-se às mudanças climáticas. O tratamento e a reutilização de águas cinza e negra têm como objetivo produzir água de boa qualidade para irrigar mudas em viveiro (umbu - Spondias tuberosa) e garantir a redução da poluição. A produção de mudas nativas de umbu é para reflorestar a vegetação da Caatinga (bioma local). O projeto Ecolume qualificou mais de 700 pessoas em tecnologia de energia solar, reuso e tratamento de água cinza e preta, mudas e produção de alimentos usando o sistema aquapônico.


Referências

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