Etnobotânica sobre plantas medicinais na localidade do Jombe I - Conda, Cuanza Sul - Angola

Fançony , , A. P.

Afonso Pinto Fançony

Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul. Rua 12 de Novembro. Caixa postal 82. Bairro Popular, Sumbe, Cuanza Sul, Angola.

Possui graduação em Agronomia pelo Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul - Angola (2017). Atualmente é docente do Instituto Superior Politécnico do Cuanza Sul - Angola, leccionando as disciplinas de Botânica e Silvicultura. Tem experiência na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Conservação da Natureza. É membro do grupo de investigação em Etnobotânica (de plantas medicinais, alimentícias não convencionais silvestres e plantas aromáticas) e Conservação da Biodiversidade nas Florestas da Cumbira e do Miombo. Além disto, possui experiência em orientações de trabalhos de fim de curso. Atua nas áreas de Ciências Biológicas, Ciências florestais e produtos naturais e Ciências Agroflorestais (Sistemas Agro - Silvopastoril) com as seguintes linhas de investigação: Etnobotânica, Agro -Silvopastoril, maneio participativo dos recursos florestas, nomenclatura vegetal e produtos naturais. Tem especial interesse pela vegetação e pelo povo que circunvizinha as Florestas do Miombo angolano, Escarpa gabelense e Floresta da Cumbira.


Palavras-chave

Etnobotânica
Plantas medicinais
Terapia
Conhecimento local
Conservação florestal
Jombe I
Ethnobotany
Medicinal plants
Therapy
Local knowledge
Conservation strategies
Jombe I

Resumo

Angola é um estado rico em diversidade cultural e em recursos florísticos. Todavia, o conhecimento autóctone e a conservação destes recursos carecem de estudos profundos, por esta razão tem sido preocupação da comunidade científica tornar este conhecimento empírico em científico. Assim, partindo dos aspectos botânicos, ecológicos e culturais, desenvolveu-se de setembro de 2019 à março de 2020, um estudo etnobotânico no Jombe I, Conda, Cuanza-Sul, Angola - cujo objetivo foi recolher informação etnobotânica, das plantas medicinais utilizadas nesta localidade. Baseou-se na Etnografia, Antropologia e Botânica, combinando as técnicas de entrevista, observação participativa e herborização. Realizou-se 17 entrevistas que resultaram a percepção de 94 etnoespécies. Os informantes foram as autoridades tradicionais, Ervanários aposentados, parteiras tradicionais e as entidades eclesiásticas. Este trabalho resultou na coleta de 76 espécies de plantas, para identificação científica e herborização no ISPCS. Destas, 69 foram identificadas. Estas pertencem a 33 famílias e 29 taxas. A Fabaceae (42%), Asteraceae e Malvaceae (12,12%) foram as famílias representativas. A Steganotaenia araliacea (92,31%), Chenopodium ambrosioides (84,62%) e Guazuma ulmifolia (61,54%) foram as espécies mais citadas. Quanto ao uso medicinal a Cochlospermum angolense, Chenopodium ambrosioides e a Steganotaenia araliácea são as mais utilizadas.


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