Farmacêutica, especialista em Gestão da inovação em fitomedicamentos pela Fiocruz e mestre em oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer. Possui 4 anos de experiência na área de oncologia, com enfâse em transplante de medula óssea e diagnóstico de leucemias e linfomas. Além disso, possui 2 anos de experiência nas áreas de registro sanitário, registro de medicamentos fitoterápicos, propriedade intelectual com ênfase em patentes para fitoterápicos, dentre outros. Atualmente é colaboradora do Instituto de Tecnologia em Fármacos - Farmanguinhos / NGBS.
Drª. Maria Dutra Behrens
Fiocruz, Instituto de Tecnologia em Fármacos-Farmanguinhos, Departamento de Produtos Naturais
Graduação em Farmácia pela Universidade Federal Fluminense (1985). Mestrado em Química (Fotoquímica Orgânica) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1991) no estudo fotoquímico de complexos de inclusão. Doutorado em Química (Química de Produtos Naturais) pela Universidade de Hannover/Alemanha (1996), com tese em estudos fitoquímicos bioguiados para comprovação de propriedades terapêuticas tradicionais de plantas medicinais sulamericanas, em projeto de cooperação bilateral Alemanha-Chile. Pós-doutorado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em estudos de padronização de insumos ativos de plantas medicinais para o desenvolvimento de fitoterápicos. Pesquisadora da Fiocruz. Membro do Comitê Gestor da Vice-Diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI) do Instituto de Tecnologia em Fármacos Farmanguinhos/Fiocruz. Chefe do Departamento de Produtos Naturais e do Laboratório de Produtos Naturais para Saúde Pública (VDEPI/Farmanguinhos). Atuou na implantação e coordenação do Curso de Especialização em Gestão da Inovação em Fitomedicamentos (Farmanguinhos/Fiocruz) e no desenvolvimento da Plataforma InovafitoBrasil, contendo roteiro na escala TRL para nortear projetos de fitoterápicos e classificar quanto à maturidade tecnológica. Atua em projetos institucionais estratégicos para implantação de políticas nacionais vigentes para plantas medicinais e fitoterápicos, na perspectiva de atendimento a demandas de Saúde Pública, com ênfase na cadeia tecnológica e produtiva; pesquisa e desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos e medicamentos da biodiversidade.
Achyrocline satureioides (Lam.) DC (Asteraceae), é uma espécie herbácea nativa do Brasil, conhecida como macela. Suas flores são utilizadas como antiasmáticas, antiespasmódicas e antiepilépticas. Esta monografia compila informações da literatura com vistas à validação do uso das flores como antiespasmódica, conforme indicado na primeira edição da Farmacopeia Brasileira, de 1926. Estudos não clínicos demonstraram a atividade antiespasmódica do extrato hidroalcoólico das inflorescências, no qual foram identificados os flavonoides quercetina, luteolina e 3-O-metilquercetina, envolvendo o relaxamento da musculatura lisa via modulação do influxo de cálcio, além de possível ação colinérgica. O uso em doses elevadas pode interferir em parâmetros reprodutivos e endócrinos. Ressalta-se que esta espécie se encontra no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira com indicação como antiespasmódica baseada no uso tradicional, mas contraindicada durante a gestação e lactação e para menores de 18 anos, devido à falta de dados adequados que comprovem a segurança nessas situações. Embora o uso tradicional seja reconhecido, são necessários mais estudos clínicos randomizados para melhor caracterização de eficácia e segurança.
Referências
Brasil. Pharmacopeia dos Estados Unidos do Brasil. 1926. 1ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional.
De Souza KCB, Bassani VL, Schapoval EES. Influence of excipients and technological process on anti-inflammatory activity of quercetin and Achyrocline satureioides (Lam.) D.C. extracts by oral route. Phytomedicine. 2007; 14(2–3): 102-8. Disponível em: [https://doi.org/10.1016/j.phymed.2005.10.007].
Cruz IBM, et al. Achyrocline satureioides infusion, popularly prepared and consumed, has an in vitro protective effect on human neural cells exposed to rotenone. J Ethnopharmacol. 5 October 2024; 332: 118350. [https://doi.org/10.1016/j.jep.2024.118350].
Cariddi LN, et al. In vitro and in vivo cytogenotoxic effects of hot aqueous extract of Achyrocline satureioides (Lam.) DC. BioMed Res Inter. 2015. Disponível em: [https://doi.org/10.1155/2015/270973].
Rivera F, Gervaz E, Sere C, Dajas F. Toxicological studies of the aqueous extract from Achyrocline satureioides (Lam.) DC (Marcela). J Ethnopharmacol. 2004; 95(2–3): Disponível em: [https://doi.org/10.1016/j.jep.2004.08.013].
Drª. Maria Dutra Behrens
Fiocruz, Instituto de Tecnologia em Fármacos-Farmanguinhos, Departamento de Produtos Naturais https://orcid.org/0000-0002-1097-2909