Validação farmacológica do uso da Ageratum conyzoides L. descrito nos tratados entre os séculos XVII ao século XX

Deise Cristina Drummond Xavier Paes Lopes
OrcID
Igor Cunha Cardoso
OrcID
Maria Dutra Behrens
OrcID

    Deise Cristina Drummond Xavier Paes Lopes

    Instituto Vital Brazil

    OrcID https://orcid.org/0000-0002-3223-697X

    Pós-graduanda em Fitoterapia Clínica Avançada- Método Fitos. Universidade Focus. Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2021). Possui Mestrado em Ciências Farmacêuticas, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002) e graduação em Farmácia (1998), com habilitação em Farmácia Industrial (2001) também pela UFRJ. Atualmente é Tecnologista em Desenvolvimento II na Gerência de Fitoterápicos do Instituto Vital Brazil, atuando em projetos de desenvolvimento de fitoterápicos de interesse do SUS e Professora da Universidade Estácio de Sá. Atuou como Tecnologista em Pesquisa Senior I em FarManguinhos- Fundação Oswaldo Cruz de 2015 até 2017, na área de farmacotécnica, com pesquisa e desenvolvimento de formulações farmacêuticas à base de produtos naturais e de síntese. Atuou como pesquisadora em produtos naturais de 1997 a 2014 no Laboratório de Química de Produtos Naturais, em Farmanguinhos-Fiocruz, onde também desenvolveu produtos medicamentosos e cosméticos à base de extratos, frações purificadas e substâncias isoladas de plantas medicinais. Possui experiência no magistério superior, principalmente nas áreas de farmacotécnica, bem como cosmetologia, atuando nas disciplinas de Farmacotécnica I e II, teórica e experimental, Fundamentos de Cosmetologia, Cosmetologia, Química Cosmética Facial, Corporal e Capilar, Bio e Fitocosmética e estágio supervisionado em farmácias de manipulação. Vêm atuando também nas disciplinas de Fundamentos de Bioquímica, Farmacognosia, Metabolismo Vegetal e Fitoterapia. Participa como Membro Voluntário do Projeto Farmacopeia Mari'ká.

    Igor Cunha Cardoso

    Fiocruz, Instituto de Tecnologia em Fármacos

    OrcID https://orcid.org/0009-0004-5528-2620

    Graduado em Farmácia (2011) pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (Suprema), com formação generalista. Especialista em Farmacologia Clínica (2012) pela Faculdade de Minas (Faminas). Mestre (2013) e Doutor (2018) em Ciências, com ênfase em Química, pelo Programa de Pós-Graduação em Química (PGQu) do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com trabalhos experimentais desenvolvidos em parceria com Farmanguinhos/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde também colaborei em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Possuo experiência na área de Química, com foco no desenvolvimento e validação de métodos analíticos envolvendo técnicas cromatográficas (GC e HPLC) e espectrofotométricas (UV/Vis), controle de qualidade farmacêutico de fitoterápicos, aplicação dos parâmetros de solubilidade de Hansen e uso de planejamentos experimentais estatísticos. Atuei como professor de Química Analítica, Controle de Qualidade Farmacêutico e Farmacologia no Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), além de ter sido bolsista FEMPTEC pelo Instituto Vital Brazil, participando do desenvolvimento de fitoterápicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre 2020 e 2025, exerci a função de coordenador de produtos na Fagron Solutions, empresa do setor industrial farmacêutico, liderando atividades relacionadas ao controle de qualidade, assuntos regulatórios, atendimento ao cliente, educação e consultoria para farmácias de manipulação.

    Maria Dutra Behrens

    Fiocruz, Instituto de Tecnologia em Fármacos

    OrcID https://orcid.org/0000-0002-1097-2909

    Graduação em Farmácia pela Universidade Federal Fluminense (1985). Mestrado em Química (Fotoquímica Orgânica) pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (1991) no estudo fotoquímico de complexos de inclusão. Doutorado em Química (Química de Produtos Naturais) pela Universidade de Hannover/Alemanha (1996), com tese em estudos fitoquímicos bioguiados para comprovação de propriedades terapêuticas tradicionais de plantas medicinais sulamericanas, em projeto de cooperação bilateral Alemanha-Chile. Pós-doutorado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em estudos de padronização de insumos ativos de plantas medicinais para o desenvolvimento de fitoterápicos. Pesquisadora da Fiocruz. Membro do Comitê Gestor da Vice-Diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI) do Instituto de Tecnologia em Fármacos Farmanguinhos/Fiocruz. Chefe do Departamento de Produtos Naturais e do Laboratório de Produtos Naturais para Saúde Pública (VDEPI/Farmanguinhos). Atuou na implantação e coordenação do Curso de Especialização em Gestão da Inovação em Fitomedicamentos (Farmanguinhos/Fiocruz) e no desenvolvimento da Plataforma InovafitoBrasil, contendo roteiro na escala TRL para nortear projetos de fitoterápicos e classificar quanto à maturidade tecnológica. Atua em projetos institucionais estratégicos para implantação de políticas nacionais vigentes para plantas medicinais e fitoterápicos, na perspectiva de atendimento a demandas de Saúde Pública, com ênfase na cadeia tecnológica e produtiva; pesquisa e desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos e medicamentos da biodiversidade. 


Palavras-chave

Acerco Casa Granado
Ageratum conyzoides
anti-inflamatório
gastroprotetor
mentrasto

Resumo

Ageratum conyzoides L. (Asteraceae), espécie popularmente conhecida como mentrasto ou erva-de-São-João, tem registros de uso medicinal em toda a América tropical. No Brasil, há relatos de aplicação para problemas digestivos, inflamações, reumatismo e como antidiarreico, entre outras indicações. No acervo da Casa Granado, constam menções ao uso tradicional do chá da planta inteira como tônico (antianêmico), diurético, carminativo, antidiarreico, anti-inflamatório para reumatismo e no auxílio em inflamações de bexiga (catarro vesical). O uso tópico (compressas ou banhos) é citado contra reumatismo e inflamações. Pesquisas pré-clínicas corroboram as atividades antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória, analgésica, antiespasmódica e gastroprotetora, e indicam relativa segurança em doses moderadas no curto prazo. Dentre os constituintes químicos, destacam-se esteroides, terpenoides e flavonoides, particularmente polimetoxiflavonas. Entretanto, a presença de alcaloides pirrolizidínicos e os estudos de toxicidade em animais sugerem a necessidade de cautela no uso prolongado ou em altas doses. Há lacunas quanto a ensaios clínicos em humanos, de modo que o uso deve ser criterioso e supervisionado. O potencial fitoterápico da planta, aliado à ampla distribuição e fácil propagação, faz de Ageratum conyzoides um candidato interessante para investigações adicionais de segurança e eficácia clínica.

Referências

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Validação farmacológica do uso da Ageratum conyzoides L. descrito nos tratados entre os séculos XVII ao século XX. Rev Fitos [Internet]. 20º de maio de 2026 [citado 22º de maio de 2026];20(Suppl 1):e1864. Disponível em: https://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/1864
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