Validação farmacológica do uso da Cinnamomum cassia (L.) J. Presl descrito nos tratados entre os séculos XVII ao século XX

Amanda Silva Rocha D’Angelis
OrcID
Adriana Nunes Wolffenjbüttel
OrcID

    Amanda Silva Rocha D’Angelis

    Universidade Federal do Paraná

    OrcID https://orcid.org/0000-0002-4637-0993

    Bióloga, Mestre e Doutora em Agronomia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-graduada em Inovação em Medicamentos da Biodiversidade pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Desenvolve pesquisa na interface entre biodiversidade e sociedade, com foco em cadeias de valor de óleos essenciais e óleos vegetais, plantas bioativas e etnobiodiversidade, atuando em projetos de PD, manejo florestal de recursos não madeireiros e etnobotânica. Atua também em divulgação e educação científica, com participação na concepção e condução de exposições e oficinas de caráter prático e interativo para crianças e adolescentes em escolas. Possui experiência docente no ensino superior, com ênfase em fisiologia vegetal, plantas medicinais e aromáticas, desenvolvimento territorial e sociobiodiversidade.

    Adriana Nunes Wolffenjbüttel

    Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa

    OrcID https://orcid.org/0000-0003-0586-2227

    Pesquisador no grupo de pesquisa Pesquisa em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas aplicadas à Saúde Pública, do(a) Consorcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa pela CABSIn. Coordenadora do primeiro Mapa de Evidências da Efetividade Clínica da Aromaterapia (OPAS/BIREME/CABSIn). Pós-doutora em Ciências Farmacêuticas (PPGCF/UFRGS). Possui graduação como Bacharel em Química (UFRGS), Especialização em Toxicologia (SSP/RS), Especialização em Óleos Essenciais (PUCRS), Mestrado em Engenharia Metalúrgica-Ciências dos Materiais (PPGEMM/UFRGS), Doutorado em Ciências Farmacêuticas. Certificação CertAroma pela ABRAROMA. Tem experiência na área de química, com ênfase em química analítica, atuando principalmente nos seguintes temas: toxicologia química (drogas de abuso, agrotóxicos e venenos), controle de qualidade, óleos essenciais, farmacologia e formulações na área da saúde com óleos essenciais e aromáticos. Dizer pessoal: "O bacharelado iluminou o caminho, o mestrado ensinou como caminhar através da metodologia científica, a toxicologia mostrou o perigo e os cuidados necessários, entretanto a especialização, o doutorado e o pós-doutorado na área dos óleos essenciais evidenciaram a beleza, a harmonia e o potencial terapêutico da química." 


Palavras-chave

canela-da-China
óleo essencial
circulação sanguínea

Resumo

A casca aromática de Cinnamomum cassia (canela-da-China) é utilizada há séculos como especiaria e como insumo medicinal em sistemas tradicionais, com destaque para a Medicina Tradicional Chinesa. Historicamente, preparações da casca e do óleo essencial foram empregadas para conforto digestivo, sensação de aquecimento corporal e suporte metabólico, além de usos tópicos e antimicrobianos em diferentes tradições. Na Primeira Farmacopeia, conforme registrado por Rodolpho Albino, a casca de Cinnamomum cassia é descrita com indicações terapêuticas tradicionais voltadas ao suporte da circulação e ao manejo de erupções cutâneas. A monografia de Cinnamomum cassia (canela-da-China) reúne evidências que sustentam sua validação para suporte à circulação, incluindo efeitos vasodilatadores, antioxidantes endoteliais e ações sobre hemostasia (antiagregante/antitrombótica) em modelos pré-clínicos, além de achados clínicos sugerindo benefícios em parâmetros vasculares e de pressão arterial em populações com diabetes tipo 2. Além do efeito relacionado à circulação, há evidências de ações complementares relevantes, incluindo modulação do metabolismo glicêmico e lipídico, atividade antifúngica e efeitos anti-inflamatórios em modelos cutâneos.

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Validação farmacológica do uso da Cinnamomum cassia (L.) J. Presl descrito nos tratados entre os séculos XVII ao século XX. Rev Fitos [Internet]. 20º de maio de 2026 [citado 22º de maio de 2026];20(Suppl 1):e1986. Disponível em: https://revistafitos.far.fiocruz.br/index.php/revista-fitos/article/view/1986
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